Jair Bolsonaro teria dado seu aval para a divulgação de uma carta escrita por seu filho, Flávio Bolsonaro, após receber alertas de aliados sobre a possibilidade de o clã político ficar sem representação no Congresso Nacional após as eleições de 2026. A principal preocupação gira em torno da candidatura de Flávio à Presidência da República, cuja derrota o deixaria fora do Senado a partir de 2027, quando termina seu mandato atual. O cenário também inclui a desafiadora candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina e a situação de Eduardo Bolsonaro, que atualmente não possui mandato de deputado federal.
A informação sobre o alerta a Jair Bolsonaro foi divulgada pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo a apuração, o receio de uma diminuição drástica da influência política do grupo no Legislativo teria sido o fator determinante para que o ex-presidente autorizasse uma nova manifestação pública em apoio à pré-candidatura de Flávio.
A carta em questão foi publicada por Flávio Bolsonaro em 11 de julho, após uma visita ao pai. No texto, Jair Bolsonaro incentiva a união em torno do senador e busca reafirmá-lo como seu principal representante na corrida presidencial. A iniciativa surge em um momento delicado para a pré-campanha de Flávio, marcado por desgastes e por disputas internas na extrema-direita.
Uma consequência imediata da estratégia de preservação política do clã foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai por 90 dias, argumentando que o senador utilizou a visita para obter e divulgar uma carta com fins eleitorais, violando as restrições impostas ao ex-presidente. O ministro reforçou a proibição de que Jair Bolsonaro utilize intermediários para divulgar mensagens em plataformas digitais, reiterando que a carta promovia a pré-candidatura de Flávio.

