Deputado resgata suspeitas de desvio de emendas e acusação de estupro de vulnerável; Gaspar nega irregularidades e fala em perseguição política
A confirmação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) gerou reação imediata de adversários políticos na manhã desta quarta-feira (5). O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), utilizou suas redes sociais para resgatar acusações e investigações que envolvem o parlamentar alagoano.
Na crítica sobre a indicação à chapa de Flávio, Boulos relembrou duas frentes de desgaste contra Gaspar: as suspeitas de irregularidades no repasse de R$ 6 milhões em emendas parlamentares e o caso de estupro de vulnerável.
“Flavio Bolsonaro acabou de indicar para vice um cidadão que foi acusado de estupro de vulnerável. Como se não bastasse, Alfredo Gaspar é investigado por emendas PIX de R$6 milhões para um prefeito em Alagoas. É o casamento da rachadinha com o orçamento secreto. Eles se merecem!”
Ao anunciá-lo como vice-presidente de sua chapa nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro defendeu o nome de Alfredo Gaspar destacando sua atuação combativa na CPMI do INSS no combate à corrupção.
As acusações contra Alfredo Gaspar ganharam repercussão no encerramento da CPI do INSS, em março, quando ele apresentava o documento com 216 indiciados e pedia o indiciamento do filho mais velho do presidente da República, Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha.
Na ocasião, o deputado Lindbergh Farias (PT-PB) chamou o colega de “estuprador”. Na mesma sessão, Gaspar rechaçou a acusação e apresentou um vídeo em que uma mulher nega ser sua filha.
Linbergh e Alfredo GasparVídeo: TV Senado/Reprodução/ND Mais
Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) dizem ter encaminhado à Polícia Federal supostas provas do caso. A acusação dos parlamentares afirma que há documentos e áudios que apontariam uma suposta relação de Gaspar com uma adolescente de 13 anos, ocorrida há oito anos.
De acordo com a denúncia, o caso teria culminado em gravidez e em tentativas de suborno para manter a ocultação do fato.
A denúncia também alega que a avó da criança foi registrada como mãe, considerando que a menina era nova demais para assumir o bebê.
Em sua defesa, Alfredo Gaspar nega as acusações e afirma ser vítima de “perseguição política” motivada por seu trabalho como relator da CPI do INSS.
Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS.Vídeo: Joice Gonçalves/ND Mais
Gaspar sustentou que o caso citado envolve, na verdade, um relacionamento de seu primo, Maurício César Brêda Filho, com uma mulher de 21 anos em Alagoas quando ele ainda era menor de idade. O deputado alegou ainda que ele próprio realizou exame de DNA para comprovar a ausência de vínculo.
Diante das declarações dos adversários, o congressista apresentou queixa-crime por calúnia e notícia-crime no STF (Supremo Tribunal Federal) contra Lindbergh e Soraya por coação e denunciação caluniosa.
Em maio, Lindbergh se defendeu no processo e alegou que recebeu uma “gravíssima denúncia, com evidências razoáveis” de que Gaspar cometeu estupro de vulnerável.
“Diante da inequívoca gravidade dos fatos, os parlamentares fizeram aquilo que se espera de qualquer cidadão, especialmente funcionários públicos eleitos para representar o povo brasileiro: formalizaram uma notícia de crime junto à PF que, diante da razoabilidade da acusação, requereu ao STF a instauração de inquérito policial para a apuração dos fatos”, escreveu o petista.
A investigação envolvendo Gaspar está em andamento e segue sob análise da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Paralelamente, o deputado também é investigado por desvio de emendas parlamentares. O caso está sendo apurado pelo TCU (Tribunal de Contas da União). A suspeita é sobre repasses de R$ 6 milhões ao município de São José da Laje (AL).

