O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi formalmente representado na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) após ter sido apresentado como "futuro senador" em uma sessão oficial da Câmara dos Deputados. A representação, protocolada pelo líder do PT na Casa, Pedro Uczai (PT-SC), também tem como alvo o deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), que presidia a sessão em questão. O petista alega que houve propaganda eleitoral antecipada, conduta vedada a agente público e abuso de poder político, utilizando a estrutura da Câmara para promover a pré-candidatura de Gaspar ao Senado por Alagoas antes do período legal.
Segundo a peça apresentada, Evair Vieira de Melo teria se utilizado da cadeira da Presidência, do microfone oficial e da transmissão institucional da Câmara para enaltecer a futura candidatura de Gaspar. A fala que desencadeou a representação foi: "Com muita alegria, agora eu passo a palavra por 1 minuto ao nosso futuro Senador pelo Estado do Alagoas Alfredo Gaspar, um homem que revolucionou as relatorias das CPMIs aqui no Congresso Nacional." Em seguida, Evair teria reforçado a expectativa de que "Alagoas o reconhecerá à altura" e que Gaspar "vai engrandecer ainda mais o nosso Senado Federal".
Para Pedro Uczai, a intervenção de Evair Vieira de Melo extrapolou o elogio parlamentar, configurando uma vinculação direta de Gaspar a um cargo específico (Senador), a uma localidade (Alagoas) e a uma projeção de vitória eleitoral. A reação do líder petista foi imediata, questionando em Plenário: "Campanha eleitoral agora?". A representação sustenta que a estrutura pública da Câmara não pode servir como plataforma de projeção eleitoral, solicitando a análise de vídeos, notas taquigráficas e metadados da transmissão oficial. Além disso, Uczai aponta que Gaspar, anunciado para falar por um minuto, utilizou cerca de quatro minutos e meio, sem que seu protesto fosse acolhido, o que configuraria uma quebra de isonomia.
A peça jurídica invoca a Lei das Eleições e outras normativas eleitorais, argumentando que a pré-campanha não autoriza o uso de bens públicos para promover candidaturas. A representação pede que o Ministério Público Eleitoral apure a responsabilidade de ambos os deputados e avalie a aplicação de multas por propaganda eleitoral antecipada, caso os fatos sejam confirmados. Alfredo Gaspar, conhecido por sua atuação como relator em CPMIs, já foi alvo de outras denúncias, incluindo uma notícia-crime por acusação de estupro de vulnerável, que está sob investigação da Polícia Federal e análise do STF.

