Diante da iminente chegada de um "super El Niño", que promete um inverno mais chuvoso e um verão mais intenso em Santa Catarina, diversos municípios do Vale do Itajaí optaram por cancelar festas tradicionais. A região, historicamente vulnerável a enchentes e deslizamentos, vê na suspensão de eventos uma estratégia crucial para reforçar as ações de prevenção e garantir a segurança da população.

Cidades como Gaspar, Agrolândia, Ilhota, Luiz Alves e Rio do Oeste anunciaram a suspensão de celebrações planejadas entre junho e julho. Esta decisão está alinhada com o decreto de alerta climático emitido pelo governo estadual em maio, que visa preparar o estado para os impactos esperados do fenômeno climático. As projeções indicam que o El Niño deve se consolidar a partir de junho e persistir até o verão de 2026/2027, com intensificação prevista para a primavera, um período já conhecido pelas chuvas na região.

As prefeituras envolvidas ressaltam que, apesar do valor cultural e econômico das festividades, a prioridade absoluta é a proteção dos cidadãos. Os recursos financeiros e equipes que seriam dedicados aos eventos estão sendo realocados para obras e ações emergenciais de mitigação de enchentes, enxurradas e deslizamentos. Em Gaspar, por exemplo, R$ 1,7 milhão destinado à 22ª Expofeira será redirecionado para prevenção. Agrolândia suspendeu a Festa da Colheita após recomendação da Defesa Civil, focando no desassoreamento de rios.

Outras cidades também adaptaram seus calendários: a Festa Estadual da Polenta foi adiada para 2027 em Agrolândia, enquanto Ilhota cancelou sua festa de aniversário. No Vale Europeu, Luiz Alves não realizará a Festa Nacional da Cachaça (Fenaca) e a Festa da Banana neste ano. Essas medidas refletem um planejamento antecipado e um investimento em resiliência climática, buscando minimizar os riscos para a infraestrutura, a economia local e o cotidiano dos moradores frente a um cenário de eventos climáticos extremos com maior frequência e intensidade.